Palestras Paralelas
Queres aprender mais sobre o futuro da Engenharia Biomédica?
Dia 7 de março
1ª Sessão | 11H - 12H
Biomateriais Inteligentes: Do Laboratório à Regeneração e Tratamento Local
Paula Marques - Investigadora Principal @Universidade de Aveiro
A lesão da medula espinal permanece um dos maiores desafios da medicina regenerativa, devido à formação de cicatriz glial, inflamação persistente e limitada regeneração axonal. Nesta palestra serão apresentadas estratégias inovadoras para o desenvolvimento de biomateriais inteligentes capazes de recriar microambientes permissivos à regeneração neural.
Serão discutidos sistemas baseados em matrizes extracelulares descelularizadas combinadas com nanomateriais de carbono, que demonstraram promover diferenciação neuronal, modular a resposta inflamatória e favorecer a reorganização tecidular em modelos pré-clínicos. A integração de estímulos físicos, como a estimulação elétrica tridimensional não invasiva, bem como o desenho de arquiteturas anisotrópicas que orientam o crescimento axonal, evidencia a evolução destes biomateriais de simples suportes estruturais para plataformas bioativas e multifuncionais.
A apresentação destacará ainda o papel central da multidisciplinaridade, unindo engenharia, ciência dos materiais, nanotecnologia e neurociências, como motor essencial para transformar resultados laboratoriais em soluções terapêuticas com potencial impacto clínico.
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Paula Marques é Investigadora Principal na Universidade de Aveiro (UA), onde desenvolve atividade no Departamento de Engenharia Mecânica e coordena, desde 2024, a unidade de investigação TEMA – Centro de Tecnologia Mecânica e Automação. É licenciada em Química pela UA (1993), tendo concluído o mestrado em Ensino de Química e Física (1997) e o doutoramento em Engenharia de Materiais, com foco em biomateriais (2003). Iniciou a sua carreira académica como assistente no Departamento de Química da UA, conciliando a docência laboratorial com investigação. Em 2007, integrou o Departamento de Engenharia Mecânica, onde alcançou a posição de Investigadora Principal em 2014 e obteve vínculo definitivo em 2019. Foi uma das fundadoras da Divisão de Investigação em Nanotecnologia, que contribuiu decisivamente para o crescimento e prestígio científico do TEMA. A sua investigação cruza nanotecnologia, biomateriais e engenharia, com aplicações nos domínios ambiental e biomédico. Coordenou vários projetos nacionais e internacionais, destacando-se o NeuroStimSpinal (H2020-FETOPEN, 2019–2023), dedicado à regeneração espinal com soluções inovadoras.
Neurotecnologia para interfaces neuronais de descodificação e modulação da atividade cerebral
Luís Jacinto - Investigador Principal @ Faculdade Medicina Universidade do Porto
As interfaces neuronais estabelecem uma via de comunicação direta entre o sistema nervoso e dispositivos eletrónicos externos, permitindo interfaces cérebro-máquina para múltiplas aplicações biomédicas. Nesta sessão serão apresentadas estratégias de integração de múltiplas disciplinas, incluindo microfabricação, nanoelectrónica, ciência de materiais, processamento de sinal, e computação para o desenvolvimento de novas interfaces neuronais invasivas para o registo de atividade elétrica e química do cérebro bem como para a neuromodulação em malha fechada no contexto de doenças neurológicas e neuropsiquiátricas.
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Luís Jacinto é líder do grupo de investigação de Neurofisiologia e Neuroengenharia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e professor de Neuroengenharia na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). É mestre e doutorado em Engenharia Biomédica pela FEUP pela Universidade do Minho, respectivamente. Realizou o seu trabalho doutoral no Center for Neural Engineering da Penn State University, EUA, e no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Escola de Medicina da UMinho. Ocupou posições de investigador pós-doutorado no Brain Institute da Universidade de Utah, EUA e no ICVS, Portugal. As principais linhas de investigação do seu grupo focam-se em: desenvolvimento de novas interfaces para medição da actividade eléctrica e química do cérebro; sensores e actuadores bioelectrónicos para diagnóstico/terapia de doenças do cérebro; neuromodulação em doenças neurológicas e psiquiátricas; métodos de electrofisiologia e optogenética para estudo funcional das dinâmicas neuronais; e métodos computacionais para análise de sinais neuronais.
2ª Sessão | 12H - 13H
Do Presente ao Amanhã: Como a AI Está a Redefinir a Medicina Atual
João Pereira - Machine Learning @ Loka | Founder @ Full Belly
Nesta palestra, irei conduzi-lo(a) do presente ao futuro, explorando como a IA está a transformar a medicina. Vamos analisar como a IA tem sido utilizada na saúde desde os seus primeiros dias até ao impacto real que tem hoje, depois mergulhar nos avanços que estão atualmente a ganhar destaque e terminar com uma visão prospectiva do que o futuro poderá realisticamente trazer. Irei fechar com uma secção prática e orientada para carreira, sobre as competências essenciais que estudantes de engenharia biomédica devem desenvolver para trabalhar com IA na saúde, desde fundamentos técnicos sólidos até uma mentalidade orientada para produto.
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Sou Engenheira de Machine Learning e tenho desenvolvido e implementado soluções de IA em múltiplas indústrias nos últimos anos, incluindo a área da saúde. Estudei Bioengenharia (Engenharia Biomédica) na FEUP (Universidade do Porto) e, desde cedo, aprofundei-me tanto em IA como em engenharia de software, começando com projetos de investigação e depois trabalhando como Data Scientist em diferentes domínios — desde uma empresa de IoT até uma startup de MedTech a aplicar ML na saúde. Nos últimos 3,5 anos, construí e liderei uma equipa de Data Engineering + Machine Learning na área das energias renováveis, transformando modelos em produtos reais e sistemas de produção à escala. Atualmente, estou na Loka, uma empresa sediada no Silicon Valley a trabalhar na vanguarda da atual onda de IA.
Imagiologia Metabólica na Oncologia: Novas Perspetivas para o Diagnóstico e Seguimento do Cancro
Antero Abrunhosa - Diretor at ICNAS, Universidade de Coimbra
Licenciado em Bioquímica (1992) e Mestre em Eng. Biomédica (1996) pela Universidade de Coimbra. Realizou o trabalho de Doutoramento no centro PET do Hospital de Hammersmith em Londres sob a supervisão do Prof. Terry Jones (2002).
Entre 2000 e 2009, ajudou a projetar e supervisionou a construção do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde, uma Unidade Orgânica de Investigação da Universidade de Coimbra (UC) dedicada à Imagiologia Molecular e à Investigação Translacional. É atualmente Diretor do Instituto e responsável pelo Laboratório de Radioquímica e Radiofarmácia.
Mentor da ICNAS Pharma, uma empresa do Grupo UC, é Gerente e Diretor de Produção desde a sua fundação em 2009. A empresa foi pioneira em Portugal na produção de radiofármacos para a PET com a introdução no mercado nacional em 2012 da Fluodesoxiglucose [18F] UC, à qual se seguiram outros 6 produtos, um dos quais, entretanto também aprovado em Espanha
Os seus interesses de investigação incluem o desenvolvimento de radiofármacos para a imagem molecular e a teranóstica, produção farmacêutica e controlo de qualidade, imagiologia pré-clínica e clínica e ensaios clínicos.
Membro da Farmacopeia Europeia (Grupo 14) e da Farmacopeia Portuguesa, é perito da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) em diversas comissões técnicas tendo realizado múltiplas missões internacionais. Tem atualmente patentes ativas na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá e no Japão.